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Data do ano de 953 a primeira referência documental, conhecida, à villa de comite. Trata-se de uma carta de venda , feita por Flâmula Devota ao Mosteiro de Guimarães, das suas salinas, pesqueiros e propriedades que possuia no castro de S. João, hoje Monte do Mosteiro. Tudo indica ter sido este o local, onde se devem ter fixado os primeiros habitantes, ou pelo menos o seu lugar de reunião, pois a carta de Flâmula já refere ali a existência de uma igreja.
Uma história de amor faz com que a vila da foz do Ave se encontre, nos primeiros anos do século XIII, na posse de D. Maria Pais, a Ribeirinha, por quem o rei D. Sancho I se apaixonou. Será uma tetraneta sua, D. Teresa Martins, casada com Afonso Sanches, filho ilegítimo do rei D. Dinis, quem fundará o Real Mosteiro de Santa Clara, no ano de 1318, instituição que se destinava ao amparo das fidalgas pobres em primeiro lugar, das ricas em segundo, e só na falta delas se poderia admitir outra gente. As clarissas que ocuparam a sua casa até ao decreto liberal que extinguiu as ordens religiosas, exerceram um grande poder e domínio quer a nível local quer no Norte do país. No séc. XVIII traduzindo esse poderio, inicia-se a construção de um novo e imponente edifício, que nunca chegaram a concluir. Entretanto, nos primeiros anos deste século, o Mosteiro é transformado numa escola de correcção para menores.
A "Vila" alcança a idade de ouro na época das grandes navegações. Beneficiando da sua localização, com uma industria de construção naval bastante desenvolvida, os vilacondenses vão participar, activamente, nas viagens das Descobertas.
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Roteiristas, pilotos, marinheiros, evangelizadores e toda uma plêiade de homens vai embarcar na aventura que permitiu o conhecimento de novas civilizações, novas raças, novos costumes. Vasco da Gama, na sua viagem à Índia, leva na tripulação dois vilacondenses: Paulo e Francisco Faria. Consequência do fulgor económico que então se vivia, ergueu-se o grande marco quinhentista da Vila: a Igreja Matriz, dedicada ao padroeiro S. João. A Vila vestiu-se de novos arruamentos, com novas Praças, com novas casas de portas e janelas recortadas de que aínda hoje existem numerosos exemplares. Ainda no séc. XVI se levantam outras importantes construções: a Igreja, a Casa e Hospital da Misericórdia, a Igreja e Convento da Encarnação, hoje conhecido com S. Francisco, a Capela de S. Roque, Santo Amaro, Santa Catarina, o Pelourinho e o Edifício dos Paços do Concelho. Terá sido também na centúria de quinhentos que as mulheres vilacondenses tiveram conhecimento daquela que hoje é tida como a sua manifestação artesanal mais emblemática: as Rendas de Bilros.
Na paisagem de Vila do Conde outros edificios merecem atenção. Refira-se a Capela do Socorro, mandada edificar no séc. XVII por Gaspar Manuel, piloto-mor da carreira da Ìndia, China e Japão. Também a Idade do Barroco está bem representada na malha urbana vilacondense. É bom exemplo dessa representação a Igreja de Nossa Senhora da Lapa, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo no Largo do Laranjal e o Aqueduto que transportava a água desde Terroso. Destaca-se ainda um conjunto de casa disseminadas pelo núcleo antigo.
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O século XIX trouxe até cá as Invasões Francesas, que segundo notícias da época, causaram grandes danos à população.
Passada a Segunda metade do século, inicia--se a caminhada até á praia, materializada na abertura das Avenidas Bento Freitas, João Canavarro e Sacadura Cabral. Mediando as duas novas artérias, surge o maior jardim da cidade, dedicado ao Presidente da Câmara que ordenou a sua construção: Júlio Graça. Abre-se a primeira casa de espectáculos sediada no teatro Afonso Sanches que também serviu de Salão de Jogos. Mas, a jóia do Bairro Balnear é, sem dúvida, o Casino que, em Julho de 1918 abre as suas portas. Este edifício encontra-se ocupado, actualmente, com o Centro Municipal da Juventude, tendo também acolhido nas suas instalações duas instituições de ensino.
Neste breve apontamento sobre quase dez séculos da História desta Vila, que é cidade desde 1987, não se poderia deixar de fazer uma alusão muito especial a artistas e homens de letras que nela nasceram ou viveram: Antero de Quental, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, Sónia e Robert Delaunay, José Régio, Júlio/Saúl Dias, Joaquim Pacheco Neves, Ruy Belo, entre outros.
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