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No capítulo dedicado a Vila do Conde em O Minho Pitoresco, publicado nos anos de 1886 e 1887, José Augusto Vieira, refere a existência da "biblioteca municipal, fundada com o generoso donativo do falecido Dr. Albino Craveiro".
Muito provavelmente a Câmara Municipal recebeu a oferta de Albino Craveiro e não criou um espaço próprio para leitura, pois o periódico o Ave, no seu nº 9, do ano de 1892, recomenda à Câmara Municipal a criação urgente de uma biblioteca pública.
O século XIX chega ao fim sem que Vila do Conde conheça a existência do tão almejado espaço cultural, que o Democráfico, publicado nos primeiros anos do novo século, vem frequentemente reivindicando nas suas páginas.
Em 26 de Março de 1953, Vila do Conde comemora, com grande pompa e solenidade o milenário do mais antigo documento conhecido referindo o nome da nossa terra - a famosa carta de venda de Flâmula Pais. Do programa, entre outros eventos, constava a inauguração da Biblioteca Abade Sousa Maia.
Finalmente, os vilacondenses iam ter à sua disposição uma sala de leitura, instalada no nº 161, da Rua do Lidador, cuja preparação e restauro já andava anunciada nas páginas da Renovação desde 1952.
Há contudo, registo escrito de movimento de leitores no ano 1950, o que comprova a existência de uma sala de leitura anterior, muito provavelmente, no própio edifício da Câmara Municipal.
Depois de funcionar durante 3 anos na Rua do Lidador, a Biblioteca foi transferida, em 1957, para um edifício que integra actualmente os Paços do Concelho, na esquina da Rua Nossa Senhora da Conceição com a rua da Igreja. Os fundos da Biblioteca eram constituídos maioritariamente pelas doações do abade de Canidelo, dos padres António e Manuel Gomes de Lima e do Dr. José Maria de Andrade Ferreira.
Por falta de condições, que se traduziam essencialmente na exiguidade de espaço , a Biblioteca é transferida em 25 de Abril de 1979 para a Casa de S. Sebastião, e passa a integrar nos seus fundos bibliotecários parte da documentação pertencente à família proprietária da casa - Figueiredo Faria - de onde se destaca a colecção de parenética e de jornais do Porto do século XIX, o que muito vem enriquecer o fundo geral.
Durante os primeiros anos da década de 1980 e sendo, à data, o único espaço cultural da cidade, a Biblioteca foi palco de uma intensa actividade com numerosas exposições, conferências e recitais.
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Numa continuada tentativa de consquistar utilizadores e formar novos públicos, inicia-se, no fim dos anos 80, o empréstimo domiciliário e em 1991 entra em funcionamento o Serviço Itinerante de Leitura, cujo custo é integralmente suportado pelo Municícpio.
É também em 1991 que a Câmara Municipal vê aprovada a sua candidatura à Rede Nacional de Leitura Pública. Fica então decidida a construção de um edifício de raiz, prevendo a concretização de todas as directivas veiculadas no Manifesto da Unesco sobre as Bibliotecas de Leitura Pública: um espaço agradável, funcional onde a formação, a informação e o lazer através da leitura sejam uma realidade; dirigido a todas as camadas da população, sem distinções de alguma ordem, onde os serviços sejam gratuitos; virada para as novas tecnologias e sempre com a preocupação constante da necessidade de actualização dos seus fundos.
É no mês Setembro de 1995, com a presença do senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares, que se faz o lançamento solene da primeira pedra da nova construção. Simultâneamente, com o intuito de abrir cada vez mais à comunidade os serviços da Biblioteca, desenvolvem-se outras actividades, como é o caso das Bibliocaixas e é dada continuidade a outras, de que se destacam a Feira do Livro, e as Bibliotecas Jardim e de Praia. Entretanto, inicia-se a informatização do fundo em livre acesso, bem como o empréstimo domiciliário. As novas tecnologias, de que se destaca a Internet, passam a marcar presença na Biblioteca Municipal a partir do ano de 1998.

Este novo edifício, aberto à população, permite a concretização de alguns anseios e vontades que a Câmara Municipal há já muitos anos sente, oferecendo um espaço acolhedor, onde é possível o lazer e a cultura.
Este espaço é de todos vós! Desde já fica o convite para que dele usufruam. Intensamente!
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